Semana da Terra: colóquio em Brasília abre as celebrações do Dia da Terra com diálogo entre filosofia e ciência

Evento reuniu filósofos e cientistas para refletir sobre responsabilidade, harmonia e os desafios contemporâneos da relação entre humanidade e natureza.
Foto: Professores Luís Carlos Marques Fonseca, Lúcia Helena Galvão e Fabio Rubio Scarano.
Por: Kenia de Aguiar Ribeiro.

O encontro que marcou diversas iniciativas das escolas de filosofia da Nova Acrópole em todo o mundo, em celebração ao Dia Internacional da Mãe Terra, reuniu no dia 17 de abril, em Brasília, cerca de 150 pessoas. Estiveram presentes alunos de filosofia prática, cientistas, representantes de instituições públicas e privadas, além de interessados em refletir sobre os desafios ambientais contemporâneos.

Foto: Camareta da Orquestra Filarmônica Juvenil da Nova Acrópole. Por: Kenia de Aguiar Ribeiro.

A abertura do evento foi marcada pela apresentação da Camerata da Orquestra Filarmônica Juvenil da Nova Acrópole, que interpretou obras de Georg Friedrich Handel e Antonio Vivaldi, estabelecendo um clima de sensibilidade e contemplação, propício ao diálogo profundo entre ciência, filosofia e responsabilidade humana.

Como anfitrião, o chefe-geral da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Ricardo Alamino Figueiredo, deu as boas-vindas aos participantes, destacando a trajetória da instituição ao longo de mais de cinco décadas. Ele lembrou que, graças à criação da Embrapa, o Brasil superou o cenário de insegurança alimentar e se tornou uma das maiores potências mundiais na produção de alimentos.
“Apesar de todos os avanços, cerca de 8% da população global ainda enfrenta a fome. E, globalmente, passamos de um estágio de mudanças para uma emergência climática, o que demonstra como Filosofia, Ciência e Meio Ambiente precisam caminhar de forma integrada”, enfatizou.


O imaginário sobre o futuro

Com mediação da filósofa Lúcia Helena Galvão, o painel reuniu Luís Carlos Marques Fonseca, diretor nacional da Nova Acrópole Brasil – área Norte, e o cientista Fábio Rubio Scarano, professor de Ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, curador do Museu do Amanhã e titular da Cátedra UNESCO de Alfabetização em Futuros.

Logo na abertura, Lúcia Helena lançou a pergunta que conduziu todo o diálogo: “Para onde tudo isso nos leva?”, convidando os presentes a refletirem sobre a relação atual entre humanidade e natureza.

Fábio Scarano abordou a crise humana refletida em um profundo cansaço coletivo, associado à forma como o tempo é vivido e ao imaginário de sucesso que se impõe socialmente. Para ele, é essencial criar imagens do futuro que sirvam como bússolas para um novo estado de ser.

“Precisamos romper com esse estado de paralisia em que a sociedade entrou. Isso só será possível com diálogo, senso de pertencimento e reconstrução da ideia de comunidade”, afirmou.

Lúcia Helena reforçou que os grandes desafios ambientais exigem a convergência de saberes. “A filosofia sempre refletiu sobre os problemas da humanidade. A ciência buscou soluções práticas. É o momento de darmos as mãos e trabalharmos juntos”, destacou.

Scarano enfatizou ainda a necessidade de uma verdadeira “irmandade planetária”, baseada no cuidado, no amor e no reconhecimento da vida como um fim em si mesma. Para ele, o maior desafio atual não está apenas em compreender os problemas, mas em agir a partir de uma reconexão com o sentir humano.

Luís Carlos complementou a reflexão ao lembrar que o ser humano não veio apenas para ter ou acumular, mas para ser. Segundo ele, consciência e harmonia são fundamentos indispensáveis para uma convivência equilibrada consigo mesmo, com o outro e com a natureza.


Harmonia e responsabilidade

Um dos eixos centrais do diálogo foi o contraste entre os avanços tecnológicos e a dificuldade de transformação humana prática. Embora indicadores sociais e econômicos tenham apresentado melhorias, os participantes ressaltaram que ainda há uma estagnação nas ações necessárias para enfrentar os desafios ambientais, cujas causas estão ligadas ao sentido de vida, à ética e à solidariedade.

Nesse contexto, valores como empatia, escuta ativa e responsabilidade coletiva foram destacados como essenciais para mudanças reais, inclusive na busca pelas metas globais da Agenda 2030, proposta pelas Nações Unidas.
“O futuro é construído por meio de diálogos como este”, afirmou Scarano, ao lembrar que momentos de crise também podem se tornar oportunidades de recomeço.

O colóquio também abordou a dimensão interna do ser humano como fator decisivo para a transformação externa. Luís Carlos ressaltou que a ausência de harmonia interior conduz à busca por compensações materiais. “Quanto mais consciência desenvolvemos, mais harmonia somos capazes de gerar”, afirmou, destacando a unidade entre indivíduo, sociedade e natureza.


Ampliando a escuta

A partir das perguntas do público, Scarano reconheceu os limites da ciência quando isolada, ressaltando que ela é uma forma de interpretação da realidade e, por isso, precisa dialogar com outros campos do conhecimento. Ele também alertou para os riscos do dogmatismo e defendeu a ampliação da escuta como caminho para aproximar ciência e sociedade. “A mudança começa em nós, com uma revolução da presença”, pontuou.

Para Giane Ribeiro, secretária de Voluntariado da Nova Acrópole Brasil – área Norte, o encontro simbolizou a união entre ciência e filosofia: “Uma ciência que responda melhor às necessidades da sociedade e uma filosofia que ofereça sentido a essa ciência. Unidas, elas podem apontar caminhos para um mundo melhor”.

Encerrando, Lúcia Helena Galvão destacou que o verdadeiro desenvolvimento humano está ligado à construção da própria identidade. “Cada ser se realiza sendo aquilo que é”, afirmou, comparando esse processo à beleza do nascer do sol.
“Estamos aqui para construir uma versão melhor de nós mesmos”, concluiu, reafirmando o propósito do evento: integrar ciência, filosofia e ação consciente como vias complementares para um futuro mais sustentável, humano e harmonioso.

Foto: participantes do Evento com os Professores Luís Carlos Marques Fonseca, Lúcia Helena Galvão e Fabio Rubio Scarano. Por: Kenia de Aguiar Ribeiro.

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