
No dia 17 de junho, a Nova Acrópole participou do Encontro da Polícia de Migração, realizado em Vitória (ES), no auditório da Petrobras, no contexto da Rede de Amigos para o Bem. A atividade reuniu profissionais que atuam diretamente na linha de frente do atendimento a migrantes, refugiados e viajantes, em um cenário marcado por desafios humanos complexos e crescentes.
A palestra, ministrada por Melissa Andrade, teve como tema “Realização humana e poder a serviço da sociedade” e propôs uma reflexão filosófica e prática sobre força interior, discernimento e serviço público. A abordagem partiu do reconhecimento do papel sensível desempenhado pelos servidores que lidam diariamente com situações de vulnerabilidade, conflito e sofrimento humano.
Durante a exposição, foram apresentados dados do contexto migratório global e nacional como moldura para a reflexão, destacando que as grandes crises contemporâneas — políticas, sociais, ambientais e emocionais — chegam primeiro à ponta do serviço público. A partir disso, a palestra enfatizou que, em tempos de maior desordem externa, torna-se ainda mais valiosa a construção de uma ordem interior sólida, capaz de sustentar decisões justas, humanas e equilibradas.


A reflexão filosófica trouxe a imagem do “guerreiro-sábio”, inspirada em Platão, como símbolo daquele que une força e inteligência, coragem e discernimento. Foi ressaltado que o uso consciente do poder não se limita à aplicação técnica da lei, mas exige maturidade emocional, clareza de valores e capacidade de não se deixar governar por impulsos como medo, orgulho ou automatismo.
Outro ponto central foi a compreensão da natureza dual do ser humano, reconhecendo tanto impulsos nobres, como justiça, honra e espírito de serviço; quanto tendências inferiores, como vaidade, impaciência e comodismo. A palestra destacou a razão como ponte entre essas forças internas, permitindo escolhas mais conscientes, especialmente em atendimentos realizados sob pressão.
Como desdobramento prático, foram apresentados exemplos do cotidiano da Polícia de Migração, como o atendimento em passaportes, registro de estrangeiros, controle de fronteiras e retiradas compulsórias, reforçando a importância da presença, da escuta, da objetividade e do respeito à dignidade humana em todas as etapas do serviço. A prática filosófica foi apresentada como um exercício diário de atenção, autocontrole e coerência entre valores e ação.
A atividade foi encerrada com uma reflexão sobre realização humana, compreendida como o florescimento que ocorre quando o poder deixa de servir ao interesse pessoal e passa a servir a um ideal maior. Servir bem, com justiça e humanidade, foi apresentado como uma forma concreta de felicidade, honra e contribuição à sociedade.
