Nova Acrópole participa do ciclo de palestras “Matemática em Movimento” no IFPB

Encontro realizado pelo Instituto Federal da Paraíba reuniu conhecimentos matemáticos e reflexões sobre como os mitos podem contribuir para a compreensão do ser humano.

A Nova Acrópole participou, no dia 19 de agosto, do ciclo de palestras “Matemática em Movimento”, realizado pelo Instituto Federal da Paraíba (IFPB), em João Pessoa. Representando a Nova Acrópole, o professor Gabriel Gondim apresentou a palestra “Os mitos como chave de compreensão humana”, ao lado do professor Lucas Cruz (IFPB), que abordou o tema “Mitologia no dia a dia: breves comentários”.

A participação levou ao público uma perspectiva filosófica sobre a mitologia, propondo olhar para os mitos não apenas como histórias pertencentes ao passado, mas como narrativas simbólicas capazes de abordar questões universais da experiência humana.

Mitos como linguagem simbólica

Presentes em diferentes culturas, os mitos apresentam personagens, acontecimentos e desafios que podem ser compreendidos para além de sua narrativa literal. Sob uma perspectiva filosófica, seus símbolos podem representar experiências, virtudes, conflitos e processos de transformação presentes na vida humana.

A Nova Acrópole trabalha os mitos e símbolos como formas de conhecimento e como uma linguagem capaz de expressar ideias universais. Seu programa de estudos aborda, entre outros temas, os mitos e arquétipos, a simbologia das diferentes civilizações e o significado dos mitos e símbolos na Grécia, no Egito, na Índia, na China, no Japão e em outras tradições.

Essa perspectiva permite encontrar, em narrativas aparentemente distantes, elementos para refletir sobre questões muito próximas. O herói que enfrenta monstros, supera obstáculos ou precisa escolher entre diferentes caminhos pode representar, simbolicamente, desafios que também fazem parte da experiência cotidiana.

Um exemplo é o mito de Hércules e seus doze trabalhos. Em uma leitura simbólica, a jornada do herói pode ser relacionada ao processo de superação das próprias limitações e ao desenvolvimento de virtudes. Cada trabalho pode ser compreendido como uma etapa de enfrentamento e transformação, em uma trajetória que conduz o ser humano ao domínio de si mesmo.

No mito de Ulisses e as Sereias, por sua vez, Ulisses sabe que não conseguirá resistir ao canto das sereias e, por isso, pede que seja amarrado ao mastro de seu navio enquanto seus companheiros permanecem protegidos. A narrativa pode ser lida como uma representação da importância de reconhecer as próprias fragilidades e utilizar a inteligência para não se deixar dominar pelos impulsos.

Platão também utilizou a narrativa simbólica no Mito da Caverna para tratar de conhecimento, liberdade e transformação. Na proposta de estudos da Nova Acrópole, o mito é abordado como uma representação da passagem da ignorância para o conhecimento e da busca pela compreensão do que está além das aparências.

Embora pertençam a épocas e culturas distintas, essas narrativas abordam questões que continuam presentes: coragem, justiça, medo, ambição, amizade, superação e busca pelo conhecimento. É essa capacidade de tratar de experiências humanas universais que permite aos mitos atravessarem diferentes épocas e permanecerem como fontes de reflexão.

Um diálogo entre diferentes conhecimentos

A abordagem simbólica também permite estabelecer relações entre diferentes áreas do conhecimento. No contexto do ciclo “Matemática em Movimento”, a aproximação entre matemática e mitologia abriu espaço para pensar sobre como o ser humano busca compreender a realidade por diferentes linguagens.

A matemática pode revelar padrões, relações, ordem e proporção presentes no mundo, enquanto os mitos utilizam imagens, personagens e narrativas para expressar aspectos da experiência humana. Em ambos os casos, há uma busca por compreender relações e significados que podem estar além daquilo que se apresenta imediatamente aos sentidos.

Interesse e participação do público

A abordagem despertou grande interesse entre os participantes. O público interagiu durante as apresentações, fez diversas perguntas e demonstrou entusiasmo diante das possibilidades de aproximação entre os temas apresentados e a vida cotidiana.

Ao final, os participantes elogiaram a atividade, que também abriu possibilidades para a realização de novos encontros em parceria entre a Nova Acrópole e o Instituto Federal da Paraíba. A participação no ciclo reforçou, assim, a possibilidade de aproximar filosofia, educação e diferentes campos do conhecimento, criando espaços de diálogo e reflexão sobre temas que permanecem atuais.

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