Três encontros realizados em agosto reuniram 95 participantes para refletir sobre humanidade, idealismo, autoconhecimento e os caminhos de transformação do ser humano.

Como permanecer humano em um mundo marcado pela velocidade, pelo excesso de informação e por demandas cada vez maiores? Como manter vivos os ideais diante dos desafios da realidade? E o que as antigas histórias de heróis podem nos ensinar sobre nossas próprias jornadas?
Essas foram algumas das questões que movimentaram o ciclo de palestras promovido pela Nova Acrópole em Santarém, no Pará, durante o mês de agosto. Realizados nos dias 26, 27 e 31, os encontros abordaram diferentes aspectos da experiência humana a partir da Filosofia, reunindo 95 participantes.
Ministradas por Patrícia Muniz, as palestras também foram divulgadas em entrevistas concedidas à televisão e ao rádio locais, que possibilitaram apresentar ao público os temas dos encontros e a proposta da Nova Acrópole de aproximar a Filosofia da vida cotidiana.
Como se manter humano no mundo contemporâneo

Abrindo o ciclo, no dia 26 de agosto, a palestra “Como se Manter Humano no Mundo Contemporâneo” ocorreu no Auditório da ULBRA – Universidade Luterana do Brasil.
Partindo das rápidas transformações do mundo atual, da aceleração do cotidiano e do excesso de informação, a reflexão propôs uma pergunta essencial: o que significa ser humano e como preservar essa condição diante das circunstâncias do presente?
A partir da perspectiva filosófica, o encontro apresentou a Filosofia como uma busca pela sabedoria capaz de ajudar o ser humano a compreender melhor a vida e atuar sobre suas causas, e não apenas sobre seus efeitos. Nesse sentido, a busca pela sabedoria é também um caminho de construção consciente de si mesmo.
Entre as características do mundo contemporâneo discutidas estiveram o consumismo, o utilitarismo, a busca constante pelo novo, a superficialidade, o culto à aparência, a dependência de aprovação, o imediatismo, a dispersão e a falta de um sentido profundo para a vida.
Como contraponto, foram apresentados exercícios filosóficos que podem funcionar como caminhos de fortalecimento interior, entre eles disciplina, responsabilidade, controle emocional, atenção, idealismo, serviço, silêncio e contemplação.

A reflexão mostrou, assim, que aquilo que muitas vezes aparece apenas como excesso de demandas pode também se transformar em uma oportunidade de aprendizado. Para a Filosofia, o humano já existe em nós como potencial, mas precisa ser desenvolvido para tornar-se consciente e expressar-se por meio de nossas escolhas e atitudes.
O simbolismo de Dom Quixote
No dia 27, foi a vez da palestra “O Simbolismo de Dom Quixote”, realizada no Teatro Municipal Victória.

A figura de Dom Quixote permite refletir sobre o encontro entre o mundo dos ideais e as circunstâncias concretas da vida. Através de um personagem marcado pela fantasia, sua trajetória pode ser compreendida simbolicamente como a de alguém que se lança à realidade movido por aquilo que considera digno de ser vivido.
Nesse sentido, a obra convida a pensar sobre o papel dos ideais na existência humana: como manter viva a capacidade de sonhar e buscar aquilo que é elevado sem perder o discernimento diante da realidade? O desafio não está em abandonar os ideais diante das dificuldades, mas em encontrar uma maneira consciente de colocá-los em prática.

A reflexão sobre Dom Quixote dialoga, assim, com uma das questões presentes no ciclo: como permanecer fiel àquilo que dá sentido à vida mesmo quando as circunstâncias não correspondem ao que desejamos?
A Odisseia e a jornada do herói
Encerrando o ciclo, em 31 de agosto, a palestra “A Odisseia e a Jornada do Herói” ocorreu no Auditório Maestro Wilson Fonseca, da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA.

A obra atribuída a Homero apresenta a longa trajetória de Ulisses de volta a Ítaca depois da Guerra de Troia. Em uma leitura simbólica, essa viagem pode representar a própria condição humana: uma jornada marcada por desafios, escolhas, perdas, aprendizados e pela necessidade de reencontrar aquilo que verdadeiramente importa.
A jornada do herói permite compreender que os obstáculos não são apenas acontecimentos externos. Eles também podem representar provas que exigem do indivíduo coragem, inteligência, perseverança e capacidade de transformação.
O retorno, portanto, não significa simplesmente voltar ao ponto de partida. Depois de atravessar as experiências da jornada, o ser humano retorna diferente, trazendo consigo aquilo que aprendeu no caminho.
Diferentes histórias, uma mesma busca
Embora apresentassem temas distintos, as três palestras estabeleceram um diálogo em torno de uma mesma questão: a construção do ser humano diante dos desafios da vida.
Se a primeira reflexão apresentou a necessidade de preservar a humanidade e desenvolver consciência em meio às exigências do mundo contemporâneo, Dom Quixote trouxe a relação entre ideal e realidade, enquanto a Odisseia apresentou a vida como uma jornada de aprendizado e transformação.
Em comum, as três abordagens apontam para a importância de desenvolver o ser humano por dentro, fortalecendo sua capacidade de fazer escolhas, enfrentar as circunstâncias e orientar a própria vida por valores e ideais.

A realização do ciclo, que contou com o envolvimento de voluntários da Nova Acrópole na organização e acompanhamento, contribuiu para ampliar a presença da Filosofia no diálogo com a comunidade de Santarém. Por meio das palestras e das entrevistas concedidas aos veículos de comunicação locais, a Nova Acrópole apresentou uma proposta de Filosofia voltada não apenas ao conhecimento, mas à possibilidade de colocá-lo em prática aprendendo a viver melhor e desenvolvendo aquilo que há de mais humano em cada pessoa.
