Diretor internacional da Nova Acrópole conduz palestra sobre as Esferas da Consciência em Brasília

Com mais de mil participantes, Carlos Adelantado Puchal conduziu encontro sobre autoconhecimento, relações humanas e nossa participação no mundo.

Mais de mil pessoas se reuniram no dia 29 de setembro, no Teatro Pedro Calmon, em Brasília, para refletir sobre uma das grandes questões da humanidade: como ampliar a consciência e compreender melhor a nós mesmos, os outros e o mundo? A aula especial As Esferas da Consciência — Eu, os Outros e o Mundo, conduzida por Carlos Adelantado Puchal, diretor internacional de Nova Acrópole, propôs um percurso filosófico pelo autoconhecimento, pelas relações humanas e pela compreensão de que fazemos parte de uma realidade maior.

Inspirada no livro homônimo de Carlos Adelantado, a atividade teve início com duas canções interpretadas por Bruna Leiros, cantora e aluna de Nova Acrópole, preparando o ambiente para uma noite de reflexão e diálogo.

Ao abordar a consciência como uma das grandes questões da existência humana, o palestrante destacou que ela não é estática: pode ser desenvolvida e ampliada à medida que buscamos compreender nossas experiências, superar limitações e atribuir novos sentidos à vida.

Do autoconhecimento à compreensão do mundo

A primeira esfera, o Eu, convida ao reconhecimento de quem somos para além das circunstâncias, dos desejos e das limitações cotidianas. Nesse caminho, conhecer a si mesmo também significa identificar aquilo que ainda precisamos desenvolver e encontrar nas adversidades oportunidades de crescimento.

Para Carlos Adelantado, ampliar a consciência exige disposição para atravessar fronteiras, aproximar-se do desconhecido e enfrentar os desafios que contribuem para nossa formação. Como sintetizou durante a aula, “ser consciente é ser livre para decidir, ser forte para suportar e generoso para entender o que a vida nos traz”.

A segunda esfera, os Outros, amplia essa percepção para as relações humanas. Família, amigos, companheiros e todas as pessoas com quem compartilhamos a vida participam de uma realidade interdependente, na qual nossas atitudes produzem efeitos sobre os demais. Nessa perspectiva, a reta ação — agir em benefício dos outros sem esperar recompensas — representa uma expressão concreta da consciência que ultrapassa os limites do interesse individual.

Já a terceira esfera, o Mundo, convida a reconhecer que não somos apenas observadores da realidade, mas participantes dela. Nossas escolhas e ações repercutem no ambiente coletivo, assim como os acontecimentos do mundo influenciam nossa própria trajetória.

As três esferas, portanto, estão interligadas: o autoconhecimento transforma nossas relações; as relações influenciam o mundo; e essa participação no mundo também nos transforma. A ampliação da consciência torna-se, assim, um processo contínuo de aprendizagem e aperfeiçoamento humano.

Diálogo sobre liberdade, crises, educação e sentido da vida

Após a exposição, a atividade prosseguiu com um diálogo entre Carlos Adelantado, a professora e filósofa Lúcia Helena Galvão e o diretor de Nova Acrópole Brasil Norte, Luís Carlos Marques Fonseca. O encontro aprofundou questões relacionadas à liberdade, à educação, às crises, à tecnologia, aos sonhos, às diferenças entre gerações e ao sentido da vida.

Ao refletir sobre liberdade e vontade, o diretor internacional destacou o potencial do voluntariado como expressão da consciência em ação. A possibilidade de colocar nossas capacidades a serviço dos outros permite ampliar a percepção para além das necessidades individuais e contribuir para o bem comum.

As relações entre gerações também foram abordadas como oportunidade de complementaridade. Enquanto os mais velhos trazem a experiência acumulada, os jovens oferecem sua força e energia. Em vez de acentuar as diferenças, o convite foi reconhecer o que cada um pode oferecer à caminhada coletiva. “As almas não têm idade e vamos todos juntos no rio da vida”, afirmou o palestrante.

As crises, por sua vez, foram apresentadas como momentos de transição que podem abrir caminhos para novas possibilidades. Para atravessá-las, é necessário cultivar a capacidade de sonhar, compreendendo os sonhos não como fuga da realidade, mas como impulso para superar limites e transformar a vida. “Sonhemos… somos todos sonhos de alguém”, enfatizou Carlos Adelantado.

O diálogo também destacou que os destinos individual e coletivo não se excluem, mas se complementam, convidando cada pessoa a refletir sobre sua contribuição para a construção de uma realidade melhor.

A filosofia como caminho de transformação

Ao abrir espaço para as perguntas do público, a aula ampliou o diálogo sobre consciência, inteligência artificial, educação, vontade e os desafios da existência contemporânea. A diversidade dos temas evidenciou como a reflexão filosófica pode contribuir para compreender questões que atravessam tanto a vida individual quanto a coletiva.

Na reflexão final, Carlos Adelantado distinguiu dominar de possuir. Enquanto dominar pressupõe uma relação de controle e certa distância em relação àquilo que se domina, possuir, em sentido mais profundo, significa incorporar algo à própria maneira de ser.

A distinção retoma uma ideia central do encontro: a filosofia não se limita à aquisição de conhecimentos, mas envolve a capacidade de transformar aquilo que compreendemos em atitudes, escolhas e formas de viver.

Ao reunir mais de mil pessoas em torno dessas questões, a aula especial reafirmou o valor da filosofia como prática de investigação e desenvolvimento humano. Um caminho que começa no conhecimento de si, se amplia na compreensão dos outros e conduz ao reconhecimento de nossa responsabilidade perante o mundo.

Como sintetizou o diretor internacional de Nova Acrópole:

“Sabedoria é possuir a consciência.”

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