#228 A construção de nós mesmos

“O ser humano é arquiteto do seu próprio destino”
Jorge Angel Livraga

Quando decidimos construir uma casa, precisamos escolher o local, conhecer o terreno, definir o tamanho da obra e elaborar um bom projeto para que ela não fique inacabada. Depois vêm os cálculos, as fundações, a escolha dos materiais e dos profissionais adequados, e mais uma série de cuidados necessários para que aquilo que existia apenas como ideia possa adquirir forma e tornar-se realidade.

Em uma construção, aprendemos um pouco de cada coisa e, talvez, possamos transportar esse aprendizado para nós mesmos. O professor Jorge Angel Livraga, fundador da Nova Acrópole, deixou-nos um pensamento muito significativo: “O Ser Humano é arquiteto do seu próprio destino”.

Quanta profundidade existe neste pensamento! Se somos, de alguma maneira, arquitetos de nós mesmos, talvez seja prudente perguntar: que construção estamos realizando?

Assim como escolhemos bons materiais para que uma casa resista às intempéries do tempo, quais materiais estamos selecionando para a nossa edificação interior?

No aspecto físico, quais hábitos utilizamos como matéria-prima? Alimentação, repouso, movimento, disciplina e cuidado são materiais resistentes. Será que os estamos usando de maneira consciente ou construindo a partir de improvisações?

No emocional, que tipo de sentimentos sustentam nossas paredes? Generosidade, gratidão, coragem e amizade ou ressentimentos, medos e pequenas vaidades, orgulhos e indiferenças que, silenciosamente, abrem fissuras em nosso interior?

No mental, que pensamentos formam nossas estruturas? Ideias próprias, reflexão, discernimento e busca pela verdade ou apenas opiniões recolhidas apressadamente pelo caminho que ditam as circunstâncias?

Toda construção necessita de boas fundações. Talvez, em nós, elas sejam os princípios e valores que permanecem firmes quando chegam os desafios da vida. Porque é relativamente fácil manter uma casa quando o céu está azul. No entanto, é durante as tempestades que descobrimos a qualidade do telhado e dos alicerces.

Também não construímos uma casa colocando todas as pedras em um único dia. Há um tempo para cavar, outro para fundamentar, outro para levantar as paredes e ainda outros tantos para cobrir e dar acabamento.

Assim parece acontecer conosco. Pensamento por pensamento, sentimento por sentimento, ação por ação, vamos edificando aquilo que um dia chamaremos de caráter.

E a obra nunca está completamente terminada. Sempre haverá algo a reparar, uma fissura a compreender, uma parede a alinhar, uma janela a abrir para que entre mais luz.

Portanto, que em nosso dia a dia possamos dar maior atenção aos materiais que usamos para construir a nós mesmos. Que possamos nos fortalecer, corrigir e melhorar.

E que essa construção interior não sirva apenas para nos abrigar, mas também para oferecer, por onde passarmos, um pequeno espaço de generosidade, bondade, esperança e alegria aos que compartilham essa caminhada conosco.

Porque, se somos arquitetos do nosso próprio destino, cada dia nos entrega novamente alguns materiais, ferramentas e um pequeno espaço para continuarmos a nossa obra.  

Cornélio Almeida
Aluno e professor da Nova Acrópole
Lago Norte / Brasília-DF

Vídeo: Hábitos: Os Construtores Silenciosos do Seu Destino | Filosofia com Lúcia Helena Galvão:Nesta palestra, Lúcia Helena Galvão revela como os hábitos funcionam como arquitetos invisíveis do nosso caráter, moldando quem somos muito além do que imaginamos. Mais do que falar de produtividade, esta é uma reflexão filosófica profunda sobre liberdade, identidade e a construção de si mesmo como obra-prima. “Não somos aquilo que pensamos ocasionalmente. Somos aquilo que praticamos constantemente.”

Música: Now We Are Free (Gladiator) – Stunning Live Performance | Tamara Radjenović:“Now We Are Free”, tema icônico do filme Gladiador, ganha nesta interpretação de Tamara Radjenović uma dimensão especialmente emotiva. Originalmente composta por Hans Zimmer e Lisa Gerrard, a música combina a força épica da trilha cinematográfica com a delicadeza e expressividade da voz de Tamara, acompanhada pela Belgrade Classic Symphony Orchestra & Choir, sob a regência de Koichiro Kanno. Apresentada ao vivo no Blue Hall do Sava Centar, em Belgrado, a interpretação preserva a beleza atemporal de uma das melodias mais reconhecíveis do cinema, evocando liberdade, transcendência e uma profunda sensação de emoção.

Livro: A arte de viver: O manual clássico da virtude, felicidade e sabedoria (Epicteto): Em “A Arte de Viver”, uma obra atemporal, o filósofo estoico Epicteto nos convida a olhar para a vida com mais liberdade e serenidade, distinguindo aquilo que depende de nós daquilo que não depende. Mais do que uma reflexão teórica, sua filosofia aponta para uma prática cotidiana: cuidar das nossas escolhas, atitudes e respostas diante das circunstâncias. Assim, aprendemos que a verdadeira liberdade não está em controlar o mundo ao nosso redor, mas em desenvolver domínio sobre nós mesmos e agir de acordo com aquilo que reconhecemos como justo e valioso.

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