Entrevista com Carlos Adelantado, Presidente da Nova Acrópole

O que é a Nova Acrópole? O presidente da escola de filosofia responde às principais dúvidas

Por Carlos Adelantado — Presidente Internacional da Nova Acrópole | Especialista em Filosofia do Oriente e Ocidente

A Nova Acrópole existe há mais de 65 anos, está presente em 60 países, tem mais de 400 sedes ao redor do mundo — e ainda assim é comum encontrar pessoas que se perguntam: mas afinal, o que é a Nova Acrópole? É uma escola? Uma organização? Um movimento filosófico? Esta entrevista existe para responder a essa pergunta com a clareza que ela merece.

▶ Prefere assistir? Veja a entrevista completa com Carlos Adelantado acima. O texto a seguir é a versão escrita e expandida.

O que é a Nova Acrópole — a resposta direta

A Nova Acrópole é uma escola de filosofia à maneira clássica — presente em 60 países nos cinco continentes, com mais de 400 sedes em funcionamento. É uma organização internacional sem fins lucrativos, de caráter educativo, reconhecida oficialmente. Sua ação no mundo se baseia em três ideais fundacionais:

  • Fraternidade universal: respeito à dignidade humana além das diferenças de sexo, cultura, religião ou condição social.
  • Amor ao conhecimento: estudo comparado de filosofias, religiões, ciências e artes — não para impor uma verdade, mas para ampliar a compreensão.
  • Desenvolvimento humano: a realização das melhores qualidades de cada ser humano como base para um mundo melhor.

Esses não são princípios decorativos. São o eixo concreto de tudo que a organização faz — em cada sede, em cada país, há mais de seis décadas.

Por que a filosofia ainda importa no século XXI?

A filosofia tornou-se uma palavra subestimada — às vezes vista como algo inconveniente ou fora de moda. Mas ela permanece sendo uma ferramenta necessária para dar à existência um sentido coerente, e para que cada ser humano tome consciência do verdadeiro protagonismo que pode assumir em relação à própria vida.

Quanto mais desenvolvemos nossa percepção interior do que é essencial, mais evidente se torna o que nos une a todos os outros seres humanos. A fraternidade não é um sentimento vago: é a consequência natural de quem pensa com profundidade. A Filosofia nos ensina que quanto maior a percepção interna do essencial, maior a evidência externa do que é fraterno.

O que a Nova Acrópole faz na prática?

A atuação concreta se divide em três frentes:

a) Filosofia — Cursos de filosofia à maneira clássica, abertos a qualquer pessoa, que combinam teoria e prática. O objetivo não é formar acadêmicos: é ajudar cada estudante a pensar com mais profundidade e viver com mais coerência.

b) Cultura — A Nova Acrópole acredita que a cultura serve para unir os povos e para compreender as diferentes mentalidades. Muitas das atitudes de intolerância que vemos hoje decorrem do desconhecimento de outras formas de expressão humana. O trabalho cultural da Nova Acrópole atua diretamente sobre isso.

c) Voluntariado — O desenvolvimento interno de cada voluntário deve caminhar junto com a entrega generosa ao bem comum. O voluntariado não é uma atividade paralela à filosofia: é a própria filosofia em movimento, colocada em ação no mundo real.

Como uma organização filosófica une pessoas tão diferentes?

A Nova Acrópole está presente em culturas radicalmente distintas — da América Latina à Ásia, da África à Europa. Como é possível desenvolver um trabalho coerente em toda essa diversidade?

A resposta está em uma premissa filosófica simples: nossa ação não se dirige às diferenças, mas às semelhanças. Os seres humanos são essencialmente iguais em seu fundo moral e espiritual. Quando esse é o eixo da ação, as diferenças culturais, religiosas e geográficas deixam de ser obstáculos — e se tornam riqueza.

E quem critica a Nova Acrópole — como responder?

Têm todo o direito de fazê-lo. Dada a diversidade da natureza humana, não faz nenhum sentido esperar ser aceito por todos. Isso está fora de qualquer lógica.

A crítica pode ser muito construtiva — quando conseguimos desvinculá-la da malícia. Não há nada aqui que mereça dramatização: é próprio dos seres racionais analisar, discutir, comparar raciocínios e, ao final, escolher livremente. Se eliminássemos o direito à crítica, estaríamos limitando a liberdade humana — e eliminando o próprio espírito filosófico, que sempre exigiu o questionamento como condição de crescimento.

Uma escola de filosofia que suprime a crítica contradiz a si mesma. Na Nova Acrópole, o pensamento crítico não é uma ameaça — é parte do método.

Houve erros e mal-entendidos no passado?

Sim. E é importante reconhecê-los com clareza, sem evasivas. Em certos momentos históricos, houve problemas de compreensão — provocados pela complexidade de uma Escola de Filosofia à maneira clássica, que desde o início demonstrou capacidade de se expandir internacionalmente de forma inédita. Alguns membros dos primeiros tempos não compreenderam bem as características profundas da organização. Erros foram cometidos — e gradualmente corrigidos.

Esse espírito de autocrítica e autocorreção é válido agora e em todo momento futuro. Onde não há capacidade de se questionar, não há filosofia viva. A Nova Acrópole de hoje é o resultado acumulado desse processo contínuo de aprendizado.

O que significa “esotérico” na Nova Acrópole?

O termo “esotérico” causa estranheza em quem o encontra pela primeira vez associado a uma escola de filosofia. A explicação é simples: a palavra vem do grego e significa literalmente “mais adentro”. Refere-se ao que é interior, ao ser das coisas, ao que está além da superfície.

Na Nova Acrópole, esotérico não tem qualquer conotação de segredo, mistério reservado a poucos eleitos ou práticas ocultas. Significa simplesmente a busca pela profundidade — pelo que está além das aparências, das palavras e dos fatos imediatos. É o convite permanente a ir além do superficial. Esse convite está aberto a qualquer pessoa que queira aceitar.

Uma escola que acolhe — mas não aprisiona

A grande quantidade de pessoas que passaram pela Nova Acrópole ao longo do tempo é, em si mesma, um testemunho. Muitas se incorporam como membros ativos. Outras preferem colaborar esporadicamente. Outras, ainda, não desejam nenhum vínculo formal. Todas essas pessoas conheceram de perto o trabalho da Nova Acrópole — e cada uma fez a escolha que quis fazer.

Porque liberdade de escolha não é um detalhe da Nova Acrópole. É um de seus fundamentos.

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