Em 1991, Delia Steinberg assumiu a presidência da Nova Acrópole após o falecimento do professor Jorge Ángel Livraga Rizzi, seu fundador, com quem colaborou estreitamente por mais de vinte anos de discipulado. Ela presidiu a Organização Internacional Nova Acrópole por vinte e nove anos, e atualmente ocupava esse cargo de forma honorária, desde a nomeação do atual Presidente Internacional, José Carlos Adelantado Puchal.
Sob sua direção, a Nova Acrópole se expandiu nos cinco continentes, levando a Filosofia clássica a todo tipo de pessoas. Isso foi realizado por meio de programas filosóficos, culturais e de voluntariado, aprofundando a identidade da Nova Acrópole definida em seus princípios fundacionais. Milhares de membros, amigos e colaboradores ao redor do mundo demonstram que as respostas filosóficas da Nova Acrópole para estes tempos complexos são válidas e necessárias, pois se baseiam na sabedoria atemporal que iluminou a humanidade em seus momentos mais difíceis.
Se fosse para destacar apenas um aspecto de seu incansável trabalho à frente da organização, seria sua ação como professora magistral: ela desenvolveu o currículo da Escola de Filosofia e elaborou programas de filosofia aplicada, fundamentados em ensinamentos profundos para a vida e para a evolução humana.
É autora de numerosas obras sobre a vida filosófica, traduzidas para várias línguas: francês, inglês, alemão, russo, tcheco, português, grego. Entre mais de trinta títulos, destacam-se: Los Juegos de Maya, Filosofía para Vivir, El héroe cotidiano. Paralelamente, como concertista e professora de piano, preside o Concurso Internacional que leva seu nome, oferecendo oportunidades a jovens pianistas.
Pedimos a Delia que compartilhasse suas experiências à frente da Organização Internacional Nova Acrópole.
1. Como foi sua vida ao lado do Prof. Jorge Ángel Livraga?
Durante os 25 anos que estive próxima do Prof. Livraga, participei de momentos excepcionais pelo seu valor humano. Tanto nas aulas de Filosofia que recebia quanto em conversas informais junto com outros companheiros, compartilhamos conhecimentos sobre arte, ciência, história e tantos outros temas… Isso nos enriqueceu de maneira clara, simples e eficaz. Cada dia era excepcional e, no que me diz respeito, recebi lições teóricas e práticas que se tornaram referências para toda a vida.
Ficou evidente para nós a formação que ele próprio havia recebido por meio de seus mestres, pois ninguém pode criar uma Escola de Filosofia dessa envergadura sem ter recebido, por sua vez, uma educação rica nesses valores humanistas. Sabemos que ele teve vários anos de preparação, e que muitas lições iam e vinham por correio. Ele nos contou que, em alguma ocasião, suas monografias retornavam em um envelope cuidadosamente cortadas com tesoura, sem maiores explicações; era preciso encontrar o erro e corrigi-lo até chegar à solução correta — e, nesse caso, vinham explicações mais apropriadas.
Talvez essa formação tenha feito com que sua paciência fosse enorme, e ele estivesse sempre disposto a responder às nossas perguntas. Foi a primeira pessoa de quem ouvi, algumas vezes, a frase “não sei” e isso me inspirava grande confiança. Só os vaidosos têm certeza de saber tudo.
Seu trato era amável e próximo, embora também soubesse manter as distâncias necessárias para não distorcer as relações humanas, mas sim para torná-las mais dignas e serenas.
Nunca ouvi dele uma palavra desagradável, e ele tinha a habilidade de mostrar os nossos erros como se fôssemos nós mesmos os que os tivéssemos descoberto.
Chamávamos carinhosamente de JAL, usando as iniciais de seu nome e sobrenomes. Era uma denominação amistosa e, ao mesmo tempo, respeitosa.
É difícil encontrar uma pessoa de tão grande estatura moral, filosófica e espiritual, que usasse uma linguagem e exemplos tão naturais que qualquer um pudesse compreendê-los.
Felizmente, seus escritos e as imagens de tantos momentos agradáveis compartilhados o mantêm vivo em minha memória e na de muitos outros.
2. Qual é o balanço que faz de sua gestão à frente da Nova Acrópolis durante quase 30 anos?
Se eu tivesse que fazer um balanço o mais objetivo possível, diria que é como se tivesse vivido várias vidas, acumulando experiências de forma implacável, mas intensa.
Quando comecei minha gestão como Presidente Internacional, a OINA era relativamente pequena, com um número reduzido de sedes em diferentes países, mas não em quantidade que dificultasse o trabalho. Todo o nosso esforço era praticamente artesanal. Embora conhecêssemos nossos objetivos filosóficos e nosso programa de estudos, estruturávamo-nos de maneira muito simples, conforme as necessidades e possibilidades.
Como se costuma dizer, eram outros tempos, e predominavam ideias, preocupações e formas de enfrentá-las diferentes.
Mas as mudanças se fizeram notar rapidamente. Houve variações nas sociedades, nos estilos de vida, nas concepções sobre o futuro. A ideia de bem-estar ganhou mais terreno do que a de profundidade da consciência. A educação tomou rumos distintos e também se modificaram as aspirações individuais. Foi necessário nos inserir nessa nova etapa.
Conheci muitas pessoas, muitos países, muitas formas de cultura, línguas e expressões diversas de sentimentos, maneiras de compreender e explicar as ideias. Encontrei um mosaico excepcionalmente colorido, mas com um fundo comum: no íntimo de cada indivíduo existe um fator compartilhado, o sentido da vida, que engloba inteligência, amor e a vontade de vivê-la — uma ansiedade por sabedoria e por nos tornarmos cada vez melhores.
Em geral, meu balanço é positivo. Fizemos tudo o que foi possível, com alguns erros — o que é natural —, mas a confiança nas possibilidades inatas do ser humano permitiu abordar muitos aspectos novos que antes não haviam sido considerados. E fizemos isso com confiança e alegria.
3. O que foi mais complicado?
A aceleração do tempo. O século XX, talvez o mais “curto” dos séculos, como ouvi de uma figura muito lúcida nos fez acreditar que tudo se desenvolveria de maneira progressiva, sem grandes sobressaltos. Mas não foi assim.
De repente, nos demos conta de que o mundo avançava em uma velocidade e em direções antes impensáveis em todos os âmbitos — às vezes para o bem, outras vezes para o mal — e era necessário combinar tudo isso sem conseguir fazê-lo com rapidez suficiente.
A diversificação de conceitos fez com que muitos ficassem “fora de moda” em poucos meses, e nem sempre foi simples relacionar tanta variabilidade com a estabilidade própria da filosofia. Talvez o mais difícil tenha sido encontrar modelos de ação e expressão que conciliassem a volatilidade dos interesses com a permanência de uma filosofia atemporal, essencialmente voltada a todo o ser humano.
4. A senhora esteve desde o começo. A OINA mudou muito? Em que ela mudou?
Estive quase desde o começo, o suficiente para apreciar mudanças que nem sempre se percebem no instante, mas sim com o passar do tempo.
Sim, a OINA mudou, especialmente nas formas, como ocorre com todos os seres vivos. Não é o mesmo uma criança de cinco anos que essa mesma criança aos trinta. As mudanças formais foram fruto do próprio crescimento da OINA e da adaptação às necessidades dos tempos, da mesma forma que mudam as roupas, a linguagem, os modos de nos relacionarmos uns com os outros, a maneira de resolver problemas utilizando ferramentas diferentes. E continuarão ocorrendo modificações.
O importante é manter a essência permanente. O adulto de trinta anos sabe que é aquele que foi aos cinco, apesar das mudanças. Os modelos de roupa são muito diferentes, mas o corpo que os veste é o mesmo salvo se engordar ou emagrecer. A maturidade baseada no autoconhecimento é fundamental para que exista uma identidade.
As ideias filosóficas que deram origem à OINA, e que se baseiam em ideias milenares sustentadas por numerosos grandes pensadores, são as mesmas. As opiniões e os estilos de vida é que mudam.
Como lemos em O Pequeno Príncipe de Saint-Exupéry, o essencial é invisível aos olhos. No entanto, é o mais importante e é o que sustenta aquilo que é visível.
5. Está claro que vivemos um grande desconcerto nestes tempos.
Atualmente, é muito difícil encontrar valores estáveis e fundamentados no sentido da vida, o que equivale a dizer que, em grande parte, carecemos de futuro. A incerteza domina o presente e o amanhã — situação que afeta notavelmente as novas gerações, carentes de apoios e de esperanças.
Como é de conhecimento geral, aumentam cada vez mais os transtornos psicológicos, as tendências ao escapismo da realidade e até mesmo ao suicídio. O panorama não se apresenta alentador, a menos que ocorram mudanças substanciais — que não darão resultados imediatos. Mas é necessário começar o quanto antes.
Devemos recorrer a remédios atemporais que deram frutos nos períodos mais sombrios da História. Mesmo que falemos da nossa Idade Média mais próxima e conhecida, a Arte, em todas as suas facetas, reuniu almas seletivas e estabeleceu vínculos de Amor que deram origem ao Renascimento.
6. Todos os seres humanos desejam conhecer o Amor ou o têm, ou o buscam.
A Filosofia se fundamenta no Amor, precisamente porque essa é a raiz da palavra Filosofia: é Amor pela Sabedoria, e quem busca a Sabedoria aprende a amar tudo e a todos.
Poderíamos afirmar que a maioria o busca, e que alguns poucos privilegiados o têm. E mesmo os que o têm, continuam buscando-o para aperfeiçoá-lo.
Hoje é comum restringir o Amor ao sexo, esquecendo muitos outros planos de expressão do ser humano, como a sensibilidade, a inteligência e a espiritualidade. Esse empobrecimento do conceito de Amor torna as uniões — de qualquer tipo — fracas e pouco duradouras. No entanto, todos precisamos e buscamos o Amor, sobretudo um Amor compartilhado que ultrapasse as dificuldades. A busca infrutífera e mal orientada leva as pessoas a se conformarem com substitutos instáveis, que criam ainda mais incerteza.
O Amor é a força que nos impulsiona a fazer as coisas bem, e nesse caso se relaciona com a ética e a moral, pois nos induz a agir de maneira apropriada na vida. Assim, nos conduz à paz, à tranquilidade, à plenitude e ao bem-estar conosco mesmos e com os outros.
“Não sabemos realmente o que significa o Amor. Só conhecemos o Amor baseado no apego e na posse.
… A verdadeira natureza do Amor é a luz interior que revela a beleza escondida nas coisas.”
(Sri Ram)
O que nos interessa é o Amor em seu espectro mais amplo, voltado para toda a Natureza e, logicamente, para as pessoas. Na Nova Acrópole não importa a orientação sexual de cada um, porque isso é um fator de livre escolha; o que ambicionamos é que todos possam experimentar o Amor como “a luz que revela a beleza imaterial escondida em todas as coisas”.
7. Qual é o papel da beleza na vida?
A Arte nos põe em contato com a Beleza em seu sentido mais elevado; aproxima-nos da harmonia e do equilíbrio, tanto exterior quanto interior. É certo que, em momentos de incerteza como os que vivemos, há uma tendência a confundir as coisas, a buscar o mais fácil, o mais excitante, aquilo que atrai talvez justamente por sua feiura. O feísmo nos dominou a tal ponto que aceitamos como Arte qualquer criação, mesmo que contradiga os critérios mais elementares de beleza e é preciso muita coragem para dizer “não gosto”.
Não faltam defensores do feísmo, que o entendem como denúncia ou como ridicularização de uma sociedade injusta ou demasiado rígida em seus conceitos. Mas isso não constitui uma crítica construtiva; não basta mostrar o feio, é necessário encontrar o verdadeiramente belo.
A orientação edificante desse tipo de feísmo segue os parâmetros indicados por Nietzsche:
“152. A arte da alma feia. Impõe-se limites demasiado estreitos à arte quando se exige que seja apenas o veículo de expressão da alma regulada e equilibrada. Assim como nas artes plásticas, há na música e na poesia uma arte da alma feia, junto à arte da alma bela; e essa arte é principalmente a que obteve os efeitos mais poderosos, a que partiu almas, moveu pedras e transformou animais em homens.”
É evidente que assim não conseguiremos melhorar o mundo. A falta de estética, somada por vezes à falta de moral, ainda que pretenda ferir uma sensibilidade convencional demais, não oferece um modelo edificante nem digno de ser imitado.
Precisamos introduzir elementos positivos que purifiquem as consciências diante de tantos desastres como os que estamos vivendo.
A estética, unida à beleza e à arte, um conjunto harmônico por excelência, desenvolve uma sensibilidade mais refinada e, portanto, sentimentos da mesma categoria, assim como ideias mais purificadas de preconceitos.
O que buscamos é uma dignificação do ser humano através de seus pensamentos, sentimentos e ações derivadas — tudo isso produto da beleza, do equilíbrio e da harmonia. Destacamos o valor da beleza interior, difícil de definir, mas que irradia graça, simpatia, inteligência, elegância e um encanto que talvez não sejam evidentes para os sentidos físicos, mas que conferem um grande atrativo às pessoas.
Devemos considerar que a percepção da beleza é uma experiência subjetiva, que varia de uma cultura para outra e de um indivíduo para outro. No entanto, existem obras que bem podemos chamar de universais e imortais, porque vão além dessas diferenças individuais e culturais.
8. Na Nova Acrópole existem vários níveis de conhecimentos e práticas associadas. Pode nos explicar um pouco mais sobre esses níveis?
Como em qualquer instituição de ensino, existem níveis tal como encontramos em universidades, escolas de educação e empresas em geral.
O discernimento filosófico não pode ser oferecido nem compreendido em um único dia. Esses níveis indicam o tempo e as formas indispensáveis para um melhor aproveitamento do conhecimento. De fato, o programa de estudos da Escola de Filosofia da Nova Acrópole — devidamente registrado — possui 7 níveis, com suas respectivas matérias, às quais se tem acesso de maneira progressiva.
Algumas disciplinas requerem exercícios práticos para reforçar o aprendizado teórico; no geral, são práticas simples de psicologia, memória, reflexão, imaginação, oratória e outras relacionadas às nossas ações de voluntariado.
Escola de Filosofia – Por quê? Para quê?
Encaramos a Filosofia como uma forma de vida, e não apenas como um conjunto de conhecimentos teóricos sem aplicação nas situações, conflitivas ou não, da vida cotidiana. Daí a necessária compreensão de sua dimensão prática.
Por quê e para quê? Porque em nenhuma das escolas comuns, institutos ou outros organismos de ensino se oferecem instruções válidas para a vida. Em poucas palavras: ninguém nos ensina a viver, a aproveitar a existência ou a resolver os problemas que surgem constantemente. Não aprendemos nada sobre a verdadeira fraternidade, nem sobre convivência; faltam-nos cortesia e boas maneiras para usar corretamente a liberdade.
Provacionismo
O programa se inicia com um curso que chamamos de Provacionismo: nome dado ao primeiro nível de estudos. Indica um período de prova para quem se inscreve. Com duração variável de alguns meses, com cerca de duas ou três horas por semana, são apresentados de forma geral os temas que serão desenvolvidos nos níveis seguintes. Permite uma dupla via de prova: tanto para os que iniciam o curso decidirem se desejam continuar, quanto para os que o ministram avaliarem a aprovação dos conteúdos apresentados.
Ao concluir esse curso introdutório, recebe-se um diploma de participação. A possibilidade de seguir com os cursos subsequentes é de livre escolha, tanto neste quanto nos próximos níveis.
Também existe a Escola de Forças Vivas
É um nível destinado àqueles que, após anos de aprendizado e ação, decidem aprofundar sua formação interior e colaborar de maneira mais direta com as atividades da Nova Acrópole. Essa Escola também é de livre adesão, inicia-se com um curso preliminar teórico e prático, e podem acessá-la aqueles que demonstrarem possuir as aptidões necessárias para ocupar esses níveis. Trata-se de dar mais sentido, mais força à vida e de sentir-se, precisamente, mais vivo.
Cabe a essa Escola, especialmente, a atenção às necessidades básicas da Escola de Filosofia, às atividades culturais, à orientação de interessados e à realização de todas as ações de voluntariado, selecionando quem pode atuar com mais eficácia em diferentes ocasiões.
As oportunidades para mulheres e homens são as mesmas, e a possibilidade de deixar esses grupos também é uma decisão livremente assumida.
A participação nesses grupos responde à necessidade de uma formação humana que inclui fatores nem sempre contidos nos níveis de estudo, embora não sejam diferentes, exceto no que se refere à sua aplicação.
9. Em um tempo em que a juventude parece desorientada, quais caminhos você acredita que ela poderia seguir?
Antes de tudo, é preciso saber o que significa estar desorientado. Significa ter perdido o rumo ou não saber para onde ir. Os jovens se encontram nessa situação por muitas causas, mas principalmente por lhes faltar uma bússola segura. Digo segura porque os pontos de referência mudam rapidamente, e o que ontem era válido, hoje já não é mais e nem por isso surge algo novo para ocupar esse lugar. Isso faz com que se sinta um grande vazio interior, que se tenta preencher com qualquer coisa, sem discernimento, sem consciência e com muito medo de se sentir fora da moda.
O problema é que esse comportamento não se restringe apenas à juventude. Os jovens, como é natural, imitam os adultos, e estes tampouco parecem saber o que fazer. Isso agrava ainda mais o panorama, pois não há modelos a seguir.
É necessário devolver o sentido à vida. E o sentido não se dá com palavras ou frases de efeito; é preciso mostrá-lo com atitudes, com exemplos vivos de que vale a pena viver, de que há metas importantes a alcançar. E isso não pode ser conseguido apenas com ideias materiais; há algo a mais que sustenta, que nutre, que fortalece e é isso que se deve buscar.
Tanto jovens quanto adultos precisam sentir-se úteis e felizes, respeitados e reconhecidos. E isso só se consegue dentro de um conjunto de boas relações humanas no qual todos sintam que colaboram, que são úteis e que o fazem com gosto e naturalidade.
10. Que características essenciais você destacaria em uma Escola de Filosofia à maneira clássica?
Essa expressão “à maneira clássica” é muito significativa e rica. Designa o que é profundo, o que é autêntico e válido em todos os tempos e para todos os seres humanos. Filosofar à maneira clássica é viver buscando e aproximando-se da verdade, da justiça, da beleza e do bem e fazer isso com os demais, com exemplos vivos, com ideias elevadas que ajudem a conduzir a vida pessoal e a da sociedade.
A Escola de Filosofia à maneira clássica, como foi em sua origem, é uma fonte de valores essenciais para aqueles que desejam crescer interiormente e oferecer esse crescimento como um bem comum. É uma escola viva, com professores e alunos que trabalham juntos para desenvolver as melhores qualidades do ser humano, que não são outras senão as virtudes morais, sociais, filosóficas e espirituais.
É uma escola onde se aprende a pensar e a sentir, a respeitar os outros, a colaborar com o que for necessário, a encontrar sentido para a própria vida e a participar da vida dos demais com generosidade e firmeza.
11. Qual é o papel da Nova Acrópole no mundo atual?
Creio que Nova Acrópole é uma semente lançada no mundo por seu fundador, o Prof. Jorge Ángel Livraga, que começa a florescer em muitos lugares onde é plantada com carinho, cuidado e dedicação. Cada um desses brotos, cada sede, está ligado por um tronco comum: os princípios que a sustentam e que são três, como é sabido:
- Fraternidade Universal, que une os seres humanos por cima das diferenças de sexo, raça, religião, condição social, etc., e nos faz sentir parte de uma mesma família humana.
- Conhecimento Comparado, que permite aproximar-se das diferentes culturas e civilizações com mente aberta, aproveitando seus acertos e aprendendo com suas falhas.
- Desenvolvimento Interior, que propõe o cultivo das qualidades mais nobres do ser humano para que possa cumprir com seu papel no mundo de maneira mais consciente e eficaz.
Com esses três princípios, a Nova Acrópole pode responder aos anseios de muitas pessoas que buscam uma referência firme para suas vidas. E mais: pode colaborar com as sociedades onde está inserida, oferecendo elementos culturais, filosóficos e humanos que contribuam para uma convivência mais justa e elevada.
12. Uma mensagem final para os que fazem parte da Nova Acrópole e os que a conhecem pela primeira vez.
Aos que já fazem parte, desejo dizer que sejam fiéis àquilo que os atraiu até aqui. Que não percam a alegria de aprender, de servir, de compartilhar. Que mantenham acesa a chama da vocação filosófica, que é vocação de sentido, de elevação, de fraternidade.
E aos que nos conhecem pela primeira vez, convido a dar uma oportunidade a si mesmos de conhecer melhor esta proposta. Não há compromisso obrigatório, apenas o chamado da própria consciência e do coração. Mas se em algum momento sentirem que aqui há algo que vale a pena uma ideia, uma prática, um gesto, um valor, então que se aproximem mais. Porque talvez encontrem, como muitos encontraram, um caminho para crescer como seres humanos e colaborar com a construção de um mundo melhor.
13. Qual foi o legado do Prof. Livraga para a Nova Acrópole?
A meu ver, o legado é imenso. Em primeiro lugar, por haver concebido uma Escola de Filosofia como forma de vida, não apenas como estudo teórico ou intelectual, baseada nos valores milenares do ser humano.
Ele nos deixou uma linha de ação que não envelhece com o tempo, porque se apoia no eterno, naquilo que há de permanente em cada um de nós: a busca da verdade, do bem, da justiça e da beleza.
Legou também um exemplo de vida dedicada à missão que assumiu. Viveu com simplicidade, trabalhou incansavelmente, formou discípulos com paciência e profundidade, enfrentou dificuldades sem se desviar do seu propósito. Isso é algo que não se transmite apenas com palavras, mas sobretudo com o exemplo silencioso, que permanece nos corações de quem o conheceu.
E finalmente, deixou uma Obra com bases sólidas: um corpo doutrinário riquíssimo, uma estrutura institucional funcional, e uma visão de futuro que ainda nos orienta.
14. O que significa, para você, ter estado ao lado dele e continuar colaborando com essa missão?
Significa muita responsabilidade. Uma responsabilidade alegre, digamos assim. Porque é uma honra e uma oportunidade preciosa poder seguir construindo com base no que ele iniciou. E também porque implica um compromisso comigo mesma: o de continuar me formando, me superando, e colocando o melhor de mim a serviço dos demais.
Sinto-me como alguém que recebeu uma tocha acesa e precisa mantê-la viva para transmiti-la adiante, com a mesma luz, o mesmo calor, a mesma inspiração.
Essa continuidade não é apenas administrativa ou funcional. É sobretudo interior. É dar continuidade à chama viva da Filosofia como modo de vida, como força de transformação, como vínculo de fraternidade.
