Mais de 50 representantes de instituições governamentais e privadas participaram do segundo encontro dedicado a refletir sobre as causas mais profundas dos problemas sociais e colaborar com iniciativas transformadoras.

A Nova Acrópole Brasil Norte realizou, no dia 27 de fevereiro, em Brasília (DF), o segundo encontro voltado à estruturação da Rede de Amigos para o Bem, reunindo mais de 50 representantes de organizações governamentais e privadas, além de pessoas físicas envolvidas com iniciativas altruístas.
Na ocasião, foi apresentado o projeto de um Curso de Filosofia destinado à população em situação de vulnerabilidade social, com o propósito de levar conhecimento e valores humanos a toda a sociedade. O curso foi planejado e será ministrado pela filósofa e professora Lúcia Helena Galvão.


Fotos: Profa. Lúcia Helena apresentando proposta de curso de filosofia.
Durante o encontro, o diretor nacional da Nova Acrópole, Luís Carlos Marques Fonseca, destacou a necessidade de um espaço de convergência dedicado a refletir e enfrentar, por meio da educação e de ações concretas, parte dos problemas sociais atuais. Trazendo ensinamentos de Platão (428–347 a.C.), ressaltou que as pessoas não podem se perceber apenas como úteis naquilo que fazem, mas precisam reconhecer que carregam algo genuíno que necessita se expressar.

“O ser humano é como uma semente que contém tudo e precisa florescer, despertar suas habilidades. Educar é fazer isto. As pessoas não vieram simplesmente fazer algo, mas expressar o que há dentro de si para dar sua colaboração ao universo e participar da vida.”
Ao abordar as causas mais profundas dos problemas sociais, o diretor argumentou que a educação deve ter como pilares o desenvolvimento espiritual, o entendimento das leis fundamentais da natureza e a motivação orientada pela bondade, antes mesmo da capacidade técnica de “fazer coisas”. Citando Confúcio (551–479 a.C.), afirmou que se os bons permanecerem inertes, sofrerão as consequências de uma sociedade injusta.
“É preciso sanar um pouco dos estragos já feitos. Aí está a importância deste trabalho”, destacou.


Origem do Curso
O Curso de Filosofia lançado para a população em vulnerabilidade social nasce dessas bases. Segundo Lúcia Helena Galvão, “a bondade desorganizada não tem chance”. O projeto resulta de diversos diálogos com personalidades influentes de diferentes setores da sociedade, nos quais se evidenciou a importância de levar a Filosofia às periferias e a todas as classes sociais.
“A força de transformação é individual e está em todos. A Filosofia não pode ser elitizada. É preciso criar uma mentalidade do bem como um processo coletivo”, sublinha.
Eixos temáticos
O curso será estruturado em diferentes eixos temáticos que integram reflexão e prática. Com uma aula semanal, os participantes terão conteúdos teóricos e exercícios aplicáveis à rotina: no transporte, em casa ou no trabalho.
Entre os temas abordados estão: a base estoica e a pergunta “vale a pena ser bom?”, os valores do exemplo, a diferença entre raiva e coragem, propósito de vida além das circunstâncias, prosperar com ética, planejamento e disciplina, vitimização, ansiedade diante dos padrões de sucesso, respeito, consequências dos atos, prazer, egoísmo, transformação pessoal, paz e consciência.
“A Filosofia pertence a toda a Humanidade. Por isso queremos chegar às classes que estão nas periferias, porque elas podem e devem usar a Filosofia como ferramenta para uma vida melhor”, enfatiza.
Novo Renascimento
O segundo encontro da Rede de Amigos para o Bem foi aberto com apresentação musical da Camerata Juvenil do Programa Criança para o Bem.

Após a apresentação, a secretária nacional de Relações Institucionais da Nova Acrópole, Melissa Andrade Costa, destacou a importância de organizar-se em tempos de paz para agir conjuntamente em momentos de turbulência. Segundo ela, o movimento proposto pela Rede assemelha-se ao espírito renascentista. “A ideia é renovar a alma humana”, frisou.
Participaram representantes de mais de 50 instituições públicas e privadas, entre elas o Instituto Atuar, Instituto Felicidade Para Todos, Instituto Sabin e Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS). Também estiveram presentes representantes da Universidade do Distrito Federal (UnDF), Centro Universitário de Brasília (CEUB), Universidade de Brasília (UnB), além de órgãos da Secretaria de Segurança Pública, Saúde e Educação do GDF, Defensoria Pública, Tribunal Regional Federal e Ministério Público do Distrito Federal e Territórios.
Resultados e iniciativas
No espaço dedicado à apresentação de experiências, o desembargador de Justiça do Ministério Público Militar, Jaime de Cassio Miranda, apresentou o Método APAC (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado), voltado à humanização do ambiente prisional.
Segundo Miranda, a pena é de privação de liberdade, não de privação de dignidade. Dados apresentados indicam que, em Minas Gerais, a reincidência entre detentos que passaram pelas APACs é significativamente menor do que entre aqueles que não participaram do método.
Em Mato Grosso, desde 2021, instrutores do curso de filosofia da Nova Acrópole contribuem com o projeto “Reconstruindo Sonhos”, voltado à ressocialização por meio de formações ético-filosóficas centradas em valores e desenvolvimento humano.
Na sequência, o professor voluntário João Paulo Martins apresentou o projeto Ágora, situado em área próxima a Ceilândia (DF). O espaço abrigará ações educacionais, atenção à saúde, preservação ambiental e turismo sustentável, incluindo auditório para mais de três mil pessoas, residencial para idosos e áreas voltadas à medicina integrativa e práticas ecológicas.
“É um projeto grandioso e de longo prazo que começou como um sonho, mas começa a virar realidade”, afirmou.
A atriz e apresentadora Maria Paula Fidalgo destacou que a Filosofia é fundamental para o processo civilizatório. Já Marcela Milhomem, do Instituto Sabin, ressaltou que a prática filosófica transforma organizações e pessoas ao trazer o foco do autoconhecimento.
Encerrando o encontro, a cantora Janette Dornellas, representando a Casa da Cultura Brasília, realizou apresentação lírica centrada na esperança de um mundo mais harmônico, o que representa uma síntese do propósito da Rede de Amigos para o Bem.
